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Controle de qualidade microbiológico de pomada de 

Cannabis sativa

 L.: 

neutralização de conservantes e avaliação de contaminação microbiana 

Microbiological quality control of Cannabis sativa L. Ointment: preservative neutralization 

and evaluation of microbial contamination 

DOI: 10.24933/e-usf.v10i1.500 

  

Bianca Saraiva Russo

1

; Franciany Costa do Carmo

1

; Francisco Iuri Martins da Silva

2

; Luanne 

Eugênia Nunes

3

; Marcelo Vítor de Paiva Amorim

3

 

1

Estudante do curso de Farmácia da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia 

Afro-Brasileira (UNILAB); 

2

Doutorando do Programa de Pós-graduação em Biotecnologia, 

Universidade Estadual do Ceará; 

3

Docente do curso de Farmácia da Universidade da 

Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB) 

marcelo.amorim@unilab.edu.br 

  

RESUMO

. O controle microbiológico é essencial para assegurar a segurança, a eficácia e a 

estabilidade de medicamentos não estéreis, especialmente os manipulados, que frequentemente 
contêm água e extratos vegetais favoráveis ao crescimento microbiano. Este estudo avaliou a 
qualidade  microbiológica  de  uma  pomada  contendo  1%  de  extrato  de 

Cannabis  sativa

  L., 

produzida  por  uma  associação  no  Maciço  de  Baturité–CE,  de  acordo  com  os  critérios  da 
Farmacopeia  Brasileira,  7ª  edição.  Inicialmente,  foi  verificada  a  interferência  do  sistema 
conservante  natural  da  formulação  nos  ensaios  microbiológicos,  por  meio  de  contaminação 
intencional  com  cepas  padrão  de 

Staphylococcus  aureus

  (ATCC  6538)  e 

Pseudomonas 

aeruginosa

  (ATCC  9027),  comparadas  a  controles  adequados.  Após  a  neutralização  dos 

conservantes,  realizou-se  a  contagem  de  microrganismos  mesofílicos  totais  e  a  pesquisa  de 
patógenos. As contagens microbianas permaneceram abaixo dos limites estabelecidos (<100 
UFC/g para bactérias e <10 UFC/g para fungos e leveduras), e não foi detectada a presença de 

S.  aureus

  e 

P.  aeruginosa

.  Os  resultados  demonstraram  conformidade  com  os  requisitos 

microbiológicos  para  produtos  tópicos  não  estéreis,  evidenciando  a  eficácia  do  sistema 
conservante  natural  e  a  viabilidade  de  garantir  qualidade  microbiológica  em  formulações 
manipuladas,  desde  que  métodos  validados  e  normas  regulatórias  sejam  rigorosamente 
seguidos. 

 

 

Palavras-chave

: pomada; avaliação microbiológica; 

Cannabis sativa

 L. 

 

 

 

 

ABSTRACT.

 Microbiological control is essential to ensure the safety, efficacy, and stability 

of non-sterile medicinal products, particularly compounded formulations, which often contain 
water and plant extracts that favor microbial growth. This study evaluated the microbiological 
quality of an ointment containing 1% 

Cannabis sativa

 L. extract, produced by an association in 

the Maciço de Baturité region, Ceará, Brazil, in accordance with the criteria established by the 
7th  edition  of  the  Brazilian  Pharmacopoeia.  Initially,  the  potential  interference  of  the 
formulation’s natural preservative system with microbiological assays was assessed through 
intentional contamination with standard strains of 

Staphylococcus aureus

 (ATCC 6538) and 

Pseudomonas  aeruginosa

  (ATCC  9027),  compared  with  appropriate  positive  and  negative 

controls.  After  preservative  neutralization,  total  mesophilic  microorganism  counts  and 
pathogen  testing  were  performed.  Microbial  counts  remained  below  the  established  limits 
(<100 CFU/g for bacteria and <10 CFU/g for fungi and yeasts), and the presence of 

S. aureus

 

and 

P.  aeruginosa

  was  not  detected.  These  results  demonstrate  compliance  with  the 

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microbiological requirements for non-sterile topical products, highlighting the effectiveness of 
the  natural  preservative  system  and  the  feasibility  of  ensuring  microbiological  quality  in 
compounded formulations, provided that validated methods and current regulatory standards 
are strictly followed. 

 

 

Keywords

: ointment; microbiological evaluation; 

Cannabis sativa

 L. 

 

 

 

 

INTRODUÇÃO 

  

 

O controle de qualidade microbiológico de produtos farmacêuticos é essencial para 

garantir  a  confiabilidade  das  formulações.  Esse  processo  visa  identificar  falhas,  otimizar  e 
padronizar os processos de produção, sendo um procedimento contínuo e integrado à estratégia 
organizacional  (Yamamoto,  2004).  Em  particular,  para  produtos  manipulados,  resoluções 
estabelecem  diretrizes  rigorosas  que  orientam  normas  de  manipulação  recomendadas. 
Destacam-se a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 67/2007 e a RDC nº 87/2008, ambas 
publicadas  pela  Agência  Nacional  de  Vigilância  Sanitária  (ANVISA),  nas  quais  são 
estabelecidas as Boas Práticas de Manipulação (BPM). Estas práticas evidenciam assegurar a 
conformidade,  segurança  e  eficácia  dos  mesmos,  que  deve  incluir  a  verificação  de  aspectos 
físico-químicos  e  microbiológicos  dos  produtos,  conforme  normativas  da  ANVISA  (Brasil, 
2007; Brasil, 2008). 

Durante  a  fabricação,  os  produtos  farmacêuticos  estão  sujeitos  a  contaminação  por 

microrganismos, com fontes que variam desde as matérias-primas até o processo de produção, 
além de ocorrências durante o armazenamento e seu uso (Costa, 2023). Com o aumento da 
produção,  distribuição  e  consumo  desses  produtos,  torna-se  cada  vez  mais  imprescindível  a 
garantia da qualidade. Os produtos fabricados na Indústria Farmacêutica podem ser divididos, 
de  forma  geral,  em  duas  categorias  principais:  estéreis  e  não-estéreis  (Anvisa,  2019).  Em 
especial, os produtos não-estéreis, permitem uma quantidade controlada de microrganismos, 
desde que dentro de limites específicos. Esses produtos devem cumprir requisitos rigorosos de 
qualidade, garantindo que a carga microbiana não afete as características e a eficácia do produto 
final (Reis Vieira, 2020). Os mesmos podem variar entre cremes, pomadas, soluções, sprays, 
suspensões, entre outros. 

Produtos farmacêuticos não ésteres podem conter alto teor de água que exigem adição 

de conservantes para controlar a carga microbiana dentro dos limites estabelecidos pelos órgãos 
reguladores. Esses conservantes devem atuar de forma eficaz ao longo do tempo, preservando 
a integridade da formulação e garantindo a segurança e a eficácia do produto, sem representar 
risco. As preparações de multidoses, apresentam maiores riscos de contaminação microbiana 
durante seu uso (Dias, 2021). As formulações tópicas podem ser frequentemente a primeira 
escolha terapêutica, pois permitem a liberação controlada de substâncias ativas diretamente no 
local  de  aplicação.  As  pomadas,  em  particular,  podem  conter  ativos  com  propriedades 
específicas,  como  anti-inflamatórias,  analgésicas  ou  hidratantes,  desempenhando  um  papel 
essencial no tratamento de diversas condições dermatológicas. Estudos revelam que a utilização 
de pomadas de administração tópica contendo canabidiol, demonstrou eficácia no tratamento 
de  distúrbios  de  pele  associados  a  processos  inflamatórios.  Essa  abordagem  mostra  uma 
alternativa segura, eficaz e menos invasiva para aplicação dermatológicas (Souza, Vasconcelos, 
2022). 

Entretanto,  produtos  acabados  tópicos,  como  pomadas  e  cremes,  podem  conter 

polissacarídeos,  proteínas,  glicosídeos,  vitaminas,  álcool,  lipídios,  aminoácidos,  água  e 

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peptídeos, que auxiliam na sobrevivência e no crescimento de muitos microrganismos (Neza, 
Centini, 2016; Alshehrei, 2024). Altas concentrações de componentes naturais na formulação 
são mais susceptíveis ao crescimento microbiano (Stoffels, 2012). Somado a isso, o fato desses 
produtos serem manipulados em um ambiente divergente de uma indústria farmacêutica, pode 
agravar o quadro de contaminação. 

O Canabidiol (CBD) é um composto químico com fórmula molecular C

21

H

30

O

2

, com 

massa  molar  aproximada  de  314.462  g/mol.  Seus  receptores  estão  integrados  ao  sistema 
endocanabinoide,  abrangendo  CB1,  CB2,  PPARs  e  TRPVs.  O  canabidiol  atua  sobre  esses 
receptores  promovendo  respostas  celulares,  por  meio  da  modulação  da  atividade  dos 
endocanabinoides ou competindo diretamente com eles na ativação, inibição ou antagonismo 
dos receptores canabinoides, a depender da concentração (Silva, 2022). O uso do (CBD) em 
medicamentos  voltados  para  o  tratamento  de  diversas  condições  patológicas  tem  sido 
amplamente  investigado,  especialmente  em  formulações  de  uso  tópico.  Essa  via  de 
administração  favorece  a  absorção  do  composto  por  contornar  o  metabolismo  de  primeira 
passagem.  Entre  os  principais  efeitos  atribuídos,  estão  a  redução  da  inflamação  e  a  menor 
secreção de citocinas pró-inflamatórias (Vicente, 2021). O canabidiol (CBD) também tem se 
mostrado  eficaz  no  alívio  de  dores  articulares,  especialmente  em  condições  inflamatórias  e 
autoimunes.  Estudos  pré-clínicos  indicam  que  o  CBD  pode  reduzir  a  percepção  da  dor, 
controlar o edema e modular a inflamação nas articulações (Cannabis &Saúde, 2024). 

Diante disso, da importância do controle microbiológico para a segurança dos produtos 

farmacêuticos  de  uso  tópico  e  considerando  o  potencial  terapêutico  do  canabidiol  em 
formulações, o presente trabalho teve como objetivo avaliar a qualidade microbiológica de uma 
pomada de 

Cannabis sativa

 L., contendo majoritariamente cera de abelha ou carnaúba e óleo 

de uva, produzida por uma associação do Maciço de Baturité-CE, utilizando como referência 
os parâmetros estabelecidos pela Farmacopeia Brasileira, 7ª edição (Brasil, 2024). 

  

METODOLOGIA 

 

 

Forma farmacêutica 

 
 

A  forma  farmacêutica  (Figura  1)  foi  doada  por  uma  associação  responsável  por 

produzir formas farmacêuticas, como produtos acabados de 

Cannabis sativa

 L., localizada no 

Maciço do Baturité-CE, cuja instituição possui convênio com a UNILAB, para ensino, pesquisa 
e extensão.  

Figura 1 – 

Produto acabado do tipo pomada de 

Cannabis sativa

 L. 1%.

 

 

Fonte: Autoria própria (2026). 

 
 

A forma farmacêutica avaliada neste estudo foi uma pomada com concentração de 1% 

de extrato de 

Cannabis sativa

 L., incorporado em uma base lipofílica composta por cera de 

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abelha ou cera de carnaúba, óleo de semente de uva e óleo de coco extravirgem. Além disso, a 
formulação contém óleos essenciais de lavanda e melaleuca, conferindo características físicas 
e funcionais típicas de preparações dermatológicas naturais. 

 

Avaliação do sistema conservante 

 
 

Para  avaliação  do  sistema  conservante  da  formulação  (mistura  de  óleos  fixos  e 

essenciais  listados  acima),  utilizou-se  a  metodologia  descrita  na  Farmacopeia  Brasileira  7ª 
edição, através do método de contagem do número total de microrganismos mesofílicos (Brasil, 
2024). Para isso, procedeu-se à ressuspensão das cepas 

Staphylococcus aureus

 (ATCC 6538) e 

Pseudomonas aeruginosa

 (ATCC 9027), inicialmente mantidas em meio de cultura sólido ágar 

caseína de soja inclinado, com óleo mineral. Utilizou-se uma alça de platina estéril para inocular 
as cepas em tubos contendo 10 mL de caldo nutriente. Os tubos foram incubados por 24 horas 
a 35 °C, sendo observada a turvação dos caldos como indicativo de crescimento microbiano. 
 

Após  a  confirmação  do  crescimento  bacteriano,  procedeu-se  à  semeadura, 

individualmente, de 

Staphylococcus aureus

 (ATCC 6538) e 

Pseudomonas aeruginosa

 (ATCC 

9027) para placas contendo ágar caseína de soja. A inoculação foi realizada pelo método de 
esgotamento em superfície, com o objetivo de favorecer o crescimento de colônias isoladas e 
garantir a pureza das cepas antes da preparação da suspensão microbiológica. As placas foram 
incubadas  por  24h  à  32,5  ±  2,5  °C.  Transcorrido  o  tempo  de  incubação,  foi  realizada  uma 
coloração de Gram de cada cepa para verificar se as micromorfologias estavam de acordo com 
o esperado. 
 

Uma  vez  confirmada,  foi  realizada  a  preparação  da  suspensão  microbiana  com 

intensidade similar a 0,5 da escala de McFarland, equivalente a uma concentração aproximada 
de 1,5 × 10⁸ UFC/mL, utilizando tubo contendo 10 mL de solução salina estéril. A turbidez da 
suspensão foi ajustada visualmente com base na escala padrão, observando-se contra a luz. A 
partir dessa suspensão inicial, foram realizadas diluições seriadas, transferindo 1 mL da solução 
anterior para tubo contendo 9 mL de salina estéril. As diluições seriadas foram realizadas da 
10⁷ UFC/mL até 10² UFC/mL. Durante o processo, as soluções foram homogeneizadas a cada 
passo, utilizando agitador de tubos. A diluição de 10³ UFC/mL e 10² UFC/mL foram utilizadas 
como inóculo para amostra contaminada e controle positivo, respectivamente. 
 
As amostras foram preparadas da seguinte maneira: 
 
- Amostra não contaminada: 1 g da pomada de 

Cannabis sativa

 L. foi transferida para um tubo 

contendo 8,5 mL de solução salina estéril e 500 µL de polissorbato 20 estéril. Em seguida, a 
mistura foi aquecida entre 40 °C e 45 °C para promover a sua emulsificação. 
- Amostra contaminada: foram preparados dois tubos, sendo um para cada cepa, com 1 g da 
pomada de 

Cannabis sativa

 L., 7,5 mL de solução salina estéril e 500 µL de polissorbato 20 

estéril.  Em  seguida,  a  mistura  foi  aquecida  entre  40  °C  e  45  °C  para  promover  a  sua 
emulsificação. Por fim, foi adicionado 1 mL da diluição de 10³ UFC/mL, separadamente, de 
cada cepa. 
 

Um total de cinco placas de ágar caseína de soja foram preparadas, sendo: uma placa 

como controle negativo (inoculada com 100 µL da solução amostra não contaminada), duas 
placas como controles positivos, sendo uma para cada cepa (inoculada com 100 µL das soluções 
de 10² UFC/mL), duas placas como amostras contaminadas (inoculada, separadamente, com 
100  µL  da  amostra  contaminada  com 

Staphylococcus  aureus

  (ATCC  6538)  e  100  µL  da 

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amostraa  contaminada 

Pseudomonas  aeruginosa

  (ATCC  9027)  Todas  as  placas  foram 

preparadas utilizando o método de inóculo por superfície, cuja semeadura foi utilizada com o 
auxílio da alça de Drigalski. Posteriormente, todas as placas foram incubadas por 72h à 32,5 ± 
2,5 °C. 
 

Avaliação do sistema conservante 

 
 

Os  resultados  obtidos  inicialmente,  para  ambas  amostras  contaminadas  não  foram 

satisfatórios, indicando ausência de crescimento microbiano. Considerando que a formulação 
da pomada continha diferentes tipos de óleos fixos e essenciais, os quais apresentavam ação 
conservante, foi levantada a hipótese de interferência no crescimento dos microrganismos. De 
acordo  com  a  Farmacopeia  Brasileira  7ª  ed.  (Brasil,  2024),  formulações  com  conservantes, 
como  compostos  fenólicos,  (óleo  de  semente  de  uva,  óleo  de  coco  extravirgem  e  óleos 
essenciais de lavanda e melaeuca), podem exigir a utilização de agentes neutralizantes como o 
polissorbato 80 ou 20. 
 

Visando  minimizar  essa  possível  ação  inibitória,  uma  nova  diluição  da  amostra  foi 

proposta (Figura 2), sendo: foi transferido 1 g da pomada de 

Cannabis sativa

 L. para um tubo 

contendo 8,5 mL de solução salina estéril e 500 µL de polissorbato 20 estéril. Em seguida, a 
mistura  foi  aquecida  entre  40  °C  e  45  °C  para  promover  a  sua  emulsificação.  Uma  vez 
emulsionada, 1 mL desta solução foi transferida para outro tubo estéril contendo, 7,5 mL de 
solução salina estéril, 500 µL de polissorbato 20 estéril e 1 mL da diluição 10³ UFC/mL. A 
mesma  quantidade  de  placas  contendo  ágar  caseína  de  soja  foi  preparada  e  incubada,  nas 
mesmas condições ambientas, para avaliar a recuperação do número de colônias nas amostras 
contaminadas em comparação aos controles positivos. 
 

Figura 2 - 

Etapas metodológica para o preparo do controle negativo e amostra contaminada. 

 

 

Fonte: Autoria própria (2026). 

 

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Para que o teste de recuperação seja considerado válido, o número de colônias obtido 

nas  amostras  contaminadas  deve  ser,  no  mínimo,  50%  do  controle  positivo  para  cada 
microrganismo (Brasil, 2024). 
 

Contagem do número total de microrganismos mesofílicos na forma farmacêutica 

 
 

Foi transferido 1 g da pomada de 

Cannabis sativa

 L. para um tubo contendo 8,5 mL 

de solução salina estéril e 500 µL de polissorbato 20 estéril. Em seguida, a mistura foi aquecida 
entre 40 °C e 45 °C para promover a sua emulsificação. Uma vez emulsionada, 1 mL desta 
solução foi transferida para outro tubo estéril contendo, 8,5 mL de solução salina estéril e 500 
µL  de  polissorbato  20  estéril.  Para  a  análise  de  contagem  de  bactérias  aeróbias  e 
bolores/leveduras  foram  utilizados  os  métodos  de  contagem  em  superfície  e  profundidade, 
respectivamente. 

 

Método de Superfície:

 

Foi adicionado 100 µL da amostra preparada, conforme descrito 

anteriormente, na superfície de duas placas de Petri contendo ágar caseína de soja estéril 
e semeadas com o auxílio da alça de Drigalski. Em seguida, as placas foram incubadas, 
de  32,5  ±  2,5  °C,  durante  três  a  cinco  dias  para  determinação  do  número  de 
microrganismos  aeróbios  totais.  A  quantidade  final  de  UFC  por  grama  ou  mL  do 
produto foi expresso pela média das duas placas (Brasil, 2024). 

 

Método de Profundidade: Foi adicionado 1 mL da amostra preparada, conforme descrito 
anteriormente,  em  duas  placas  de  Petri  e  vertido  15  a  20  mL  de  Ágar  Sabouraud-
Dextrose,  mantidos  de  45  a  50  °C,  e  homogeneizadas.  Em  seguida,  as  placas  foram 
incubadas, de 22,5 ± 2,5 °C, durante cinco a sete dias para determinação do número de 
bolores  e  leveduras.  A  quantidade  final  de  UFC  por  grama  ou  mL  do  produto  foi 
expressa pela média das duas placas (Brasil, 2024). 

 

Pesquisa de patógenos na Pomada de Cannabis sativa L. 

 
 

A amostra foi preparada da mesma maneira conforme descrito no teste de contagem 

do número total de microrganismos mesofílicos. Posteriormente, 10 mL da amostra diluída foi 
inoculada em 90 mL de caldo de enriquecimento (caldo nutriente). O caldo foi homogeneizado 
e incubado a 32,5 ± 2,5 °C durante 24h. 
 

Pesquisa de Staphylococcus aureus (ATCC 6538) 

 
 

Após o período de incubação do caldo enriquecido, foi realizada uma subcultura com 

alça  de  platina  em  placa  de  Petri  contendo  ágar  sal  e  manitol.  Após  semeadura,  a  placa  foi 
incubada  a  32,5  ±  2,5  °C,  durante  72h.  Se  houvesse  crescimento  de  colônias  amarelas  ou 
brancas rodeada por uma zona amarela, com micromorfologia característica de cocos Gram- 
positivos,  indicaria  a  presença  provável  de 

S.  aureus

,  que  seria  confirmada  por  testes  de 

identificação  microbiana,  tais  como  avaliação  de  tubos  contendo  Catalase,  Oxidase,  SIM, 
DNAse.  Caso  não  houvesse  observação  de  crescimento  ou  as  provas  microbianas  forem 
negativas, o produto cumpriria o teste (Schapoval, 2005). 
 

Pesquisa de Pseudomonas aeruginosa (ATCC 9027) 

 

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Após o período de incubação do caldo enriquecido, foi realizada uma subcultura com 

alça  de  platina  em  placa  de  Petri  ágar  cetrimida  e  incubada  a  30  a  35  °C,  durante  72h.  Se 
houvesse  crescimento  de  colônias,  com  micromorfologia  característica  de  bacilos  Gram- 
negativos,  indicaria  a  presença  provável  de 

S.  aureus

,  que  seria  confirmada  por  testes  de 

identificação microbiana, tais como avaliação de tubos contendo catalase, oxidase, SIM, ágar 
citrato Simmons, ágar MacConkey e produção de piocianina. Caso não houvesse observação 
de  crescimento  ou  as  provas  microbianas  forem  negativas,  o  produto  cumpriria  o  teste 
(Schapoval, 2005). 

 

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO 

 

 

Avaliação do sistema conservante 

 

Os resultados obtidos no ensaio da avaliação do sistema conservante da pomada de 

Cannabis sativa

 L., descritos na Tabela 1, foram analisados a partir dos critérios estabelecidos 

pela Farmacopeia Brasileira (Brasil, 2024), o qual define como válido, se o número de colônias 
obtidas nas amostras contaminadas for, no mínimo, 50% em relação ao controle positivo para 
cada microrganismo. 

Durante  a  primeira  avaliação,  a  recuperação  foi  inferior  à  50%  para  ambos  os 

microrganismos testados. Por este motivo, houve a necessidade de realizar mais uma diluição 
do produto com o mesmo sistema diluente (8,5 mL de salina estéril com 0,5 mL de polissorbato 
20). Após a realização da segunda diluição, a recuperação dos microrganismos foi de 90% e 
80% para 

Staphylococcus aureus

 e 

Pseudomonas aeruginosa

, respectivamente. Diante destes 

valores,  foi  possível  observar  que  o  sistema  conservante  existente  na  formulação  foi 
neutralizado e, consequentemente, a formulação poderia ser avaliada com fins ao número total 
de microrganismos mesofílicos e pesquisa de patógenos. 
 

Contagem do número total de microrganismos mesofílicos e pesquisa de patógenos na forma 
farmacêutica 

 
 

Os resultados obtidos nos ensaios microbiológicos da pomada de 

Cannabis sativa

 L., 

descritos  na  Tabela  1  e  apresentados  na  Figura  3,  foram  analisados  a  partir  dos  critérios 
estabelecidos pela Farmacopeia Brasileira (Brasil, 2024), que define os limites microbiológicos 
para produtos não estéreis no capítulo 5.5.3.1 – “Ensaios microbiológicos para produtos não 
estéreis”.  
 

Tabela 1 - 

Resultado dos ensaios microbiológicos. 

Contagem Total 

 

Bactérias aeróbias, UFC/g 

Fungos, UFC/g 

Placa 1 

< 1000 

< 100 

Placa 2 

< 1000 

< 100 

Pesquisa de patógenos, em 1g 

Amostra 

Ausência de 

Staphylococcus aureus 

(ATCC 6538) 

Ausência de 

Pseudomonas aeruginosa 

(ATCC 9027) 

Fonte: Autoria própria (2026). 

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De  acordo  com  a  Farmacopeia  Brasileira,  formas  farmacêuticas  do  tipo  produtos 

acabados de origem sintética ou biológica para uso tópico devem atender aos seguintes limites: 
contagem total de bactérias aeróbicas não superior a 100 UFC/g, contagem total de fungos não 
superior  a  10  UFC/g  e  ausência  dos  microrganismos  patogênicos 

Staphylococcus  aureus

 

(ATCC 6538) e 

Pseudomonas aeruginosa

 (ATCC 9027) em 1 g ou 1 mL do produto. 

 

Com base nos resultados encontrados, observou-se que a pomada de 

Cannabis sativa

 

L. apresentou contagens bacteriana e de fungos inferiores aos limites microbianos para produtos 
não estéreis exigidos pela Farmacopeia Brasileira (Brasil, 2024). Adicionalmente, os ensaios 
em  meios  seletivos  específicos  para  cada  patógenos  revelaram  ausência  de 

Staphylococcus 

aureus

 (ATCC 6538) e 

Pseudomonas aeruginosa

 (ATCC 9027) em 1g de produto, as quais 

estão apresentadas na Figura 4. 
 

Figura 3 - 

Contagem do número total de microrganismos mesofílicos.

 

 

Legenda: Resultados da contagem do número total de microrganismos mesofílicos: A ausência de crescimento de 
UFC nas placas de ágar caseína de soja (bactérias aeróbias); B ausência de crescimento de UFC nas placas de ágar 
Sabouraud-dextrose (fungos e leveduras). 

Fonte: Autoria própria (2025). 

 
 

É  importante  destacar  que  os  critérios  microbiológicos  para  produtos  acabados  e 

matérias-primas variam conforme a natureza do produto. Em casos de produtos estéreis, exige- 
se completa ausência de qualquer microrganismo viável. Já para produtos não estéreis, como é 
o caso da pomada analisada, é permitida a presença de microrganismos em limites quantitativos 
específicos, desde que estejam ausentes cepas patogênicas determinadas, como 

S. aureus

 e 

P. 

aeruginosa

 (Vogel, 2020). 

 

A

 

B

 

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Vale destacar o estudo realizado por Pacheco et al. (2023), que avaliou a qualidade 

microbiológica  de  biocosméticos  artesanais  produzidos  na  Bahia.  No  trabalho,  os  autores 
reforçam a relevância de se monitorar a presença de 

S. aureus

 e 

P. aeruginosa

 em produtos 

finais, tendo em vista seu potencial patogênico e os riscos associados a contaminação desses 
cosméticos.  Os  microrganismos  citados  estão  relacionados  a  diferentes  quadros  infecciosos, 
como abscessos cutâneos, infecções no trato urinário e até bacteremias. A ausência dessas cepas 
em  todas  as  amostras  analisadas  foi  interpretada  como  um  indicativo  positivo  de  controle 
sanitário.  Os  autores  destacaram,  que  a  presença  de 

P.  aeruginosa

,  uma  bactéria  de  alta 

resistência  ambiental  e 

S.  aureus

,  representa  risco  importante  à  saúde  dos  consumidores, 

justificando a necessidade de adoção de rígidos protocolos de controle microbiológico pelas 
indústrias. 
 

Figura 4 – 

Pesquisa de 

P. aeruginosa 

S. aureus 

no produto acabado.

 

 

Legenda: Resultados da pesquisa de patógenos: A ausência de crescimento de UFC nas placas de ágar sal e manitol 
(

Staphylococcus  aureus

);  B  ausência  de  crescimento  de  UFC  nas  placas  de  ágar  cetrimida  (

Pseudomonas 

aeruginosa

). 

Fonte: Autoria própria (2025). 

 
 

No contexto de formulações tópicas, esses parâmetros são definidos para garantir que 

a presença de microrganismos não comprometa a segurança do consumidor, especialmente em 
produtos  de  aplicação  repetida  e  direta  sobre  a  pele.  A  saúde  da  pele  está  diretamente 
relacionada ao bem-estar geral do organismo. Em indivíduos adultos saudáveis a utilização de 
cosméticos contaminados pode não representar sérios riscos, a menos que o organismo seja um 
patogênico primário. Entretanto pode representar perigo para pessoas com sistema imunológico 
fragilizado (Benvenutti 

et al

., 2016). 

 

Dentre os microrganismos que têm sido isolados em produtos farmacêuticos tópicos 

encontram-se  os  chamados  patogênicos  primários,  como  a 

Salmonella

  sp.  e  os  patogênicos 

oportunistas  a  exemplo:  Pseudomonas,  enterobactérias  e  espécies  de  Flavobacterium  e 
Staphylococcus sp, que se tornam infecciosos quando há fragilidade do sistema imunológico 
(Schapoval, 2005). Vale ressaltar, que a contaminação por Staphylococcus pode ser decorrente 
do contato dos produtos de uso coletivo diretamente com a pele dos usuários. Tendo em vista 
que estafilococos, inclusive 

Staphylococcus aureus

 podem constituir a flora normal da pele de 

 

A

 

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indivíduos e que a perda de escamas da pele é da ordem de 104 escamas por minuto (Schapoval, 
2005). 
 

Estudos indicam que compostos derivados da 

Cannabis sativa

 L. podem contribuir de 

forma significativa para a manutenção e recuperação da integridade cutânea e de seus sistemas. 
Um estudo realizado por Maciel (2022) abordou o uso do canabidiol (CBD), destacando que 
compostos  derivados  da  cannabis,  possuem  propriedades  anti-inflamatórias  eficazes.  Essas 
ações ocorrem, em parte, pela atuação do CBD em receptores iônicos específicos da pele, cuja 
ativação  está  associada  a  liberação  de  mediadores  inflamatório.  A  modulação  desses  canais 
pode  ajudar  a  atenuar  reações  locais,  como  o  acúmulo  de  leucócitos  (células  de  defesa 
envolvidas em respostas inflamatórias). O estudo também aponta que os receptores CB2, que 
fazem parte do sistema endocanabinoide da pele, podem suprimir moléculas de adesão como a 
P-selectina,  limitando  a  migração  de  leucócitos  para  áreas  inflamadas.  Esses  mecanismos 
reforçam o potencial terapêutico em formulações tópicas, atuando no equilíbrio da homeostase. 
 

Estudos recentes também demonstram o potencial do canabidiol (CBD) no alívio da 

dor crônica associada a condições inflamatórias, como a artrite. Em uma pesquisa conduzida 
por  Frane 

et  al

.  (2022),  foi  observado  que  a  maioria  dos  participantes  relatou  redução 

significativa da dor, melhora na função física e na qualidade do sono após o uso de CBD. O 
estudo evidenciou uma média de 44% de redução na dor entre os usuários, além de indicar que 
muitos pacientes conseguiram diminuir ou até suspender o uso de medicamentos analgésicos 
convencionais, anti-inflamatórios e opioides. Esses dados reforçam a relevância terapêutica do 
CBD  no  manejo  da  dor,  especialmente  em  formulações  tópicas  aplicadas  a  condições 
musculoesqueléticas ou articulares. 
 

O canabidiol pode atuar também, de forma direta e indireta nas reações de oxidação- 

redução; na modulação direta, essa molécula causa um efeito sobre as células que leva à uma 
diminuição da capacidade oxidativa a qual está intimamente ligada com a prevenção da geração 
de espécies reativas de oxigênio (ROS). Além disso, o canabidiol aumenta os níveis de RNA 
mensageiro  para  geração  de  proteínas  antioxidantes,  tais  como  superóxido  dismutase  e 
glutationa peroxidase. De forma indireta, o CBD pode agir sobre os receptores canabidinoides 
(CB1  e  CB2),  ativando-os,  antagonizando  ou  inibindo,  dessa  forma,  prevenindo  o  estresse 
oxidativo sobre os elementos celulares (Jarocka-Karpowicz 

et al

. 2020). Devido a isso, seu uso 

tem sido recomendado como ativo para o tratamento cutâneo da psoríase, utilizando diversas 
formas farmacêuticas (Vicente, 2021). 
 

No entanto, para garantir a estabilidade microbiológica do produto durante toda a sua 

vida  útil,  é  comum  que  as  formulações  incluam  conservantes  antimicrobianos  ou  os 
componentes  ativos  da  formulação  contenha  essas  ações.  Esses  compostos  tem  a  função  de 
inibir o crescimento de microrganismos que podem ser introduzidos em diferentes etapas da 
cadeia produtiva. Ainda assim, é fundamental destacar que o uso de conservantes não substitui 
a necessidade da aplicação rigorosa das Boas Práticas de Fabricação (BPF), que permanecem 
essenciais para prevenir contaminações durante o processo (Alves, 2018). 
 

Assim  como  observado,  o  trabalho  das  autoras  Gomes,  Santos  e  Cardoso  (2021) 

destacam a importância da neutralização de conservantes antimicrobianos antes da realização 
das  análises  microbiológicas.  Segundo  elas,  em  formulações  compostas  por  bases  lipídicas, 
como é o caso de muitas pomadas, o uso de substâncias com efeito conservante pode inibir o 
crescimento  de  microrganismos  durante  os  testes,  comprometendo  os  resultados.  Para 
contornar, foi adotada a diluição da amostra com o auxílio de tensoativos como o polissorbato 
20,  um  agente  não  iônico  que  atua  facilitando  a  emulsificação  e  reduzindo  a  atividade  dos 

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conservantes  presentes.  A  estratégia  de  diluição  1:10,  também  aplicada  neste  estudo,  foi 
empregada com o objetivo de atenuar a ação inibitória dessas substâncias. 
 

Loyola , Medeiros e Do Á (2016) destaca que métodos como a adição de neutralizantes 

específicos, como polissorbato 80 e lecitina de soja, e a realização de diluições apropriadas são 
empregados para inativar os conservantes sem afetar a viabilidade microbiana. Por exemplo, 
em  um  estudo,  a  adição  de  polissorbato  80  a  0,4%  e  a  diluição  1:10  foram  eficazes  na 
neutralização de parabenos e imidazolidinilureia, permitindo o crescimento de microrganismos 
como 

Staphylococcus  aureus

Salmonella  typhimurium

  e 

Pseudomonas  aeruginosa

  nas 

amostras testadas. 
 

Gomes, Santos e Cardoso (2021) relataram no seu estudo, que em torno de 18,2% dos 

produtos apresentaram contaminação de microrganismos mesofílicos aeróbios acima do limite 
máximo permitido pela ANIVSA e 90,9% das amostras apresentaram contaminação por fungos 
anemófilos,  embora  fossem  pesquisados  bolores  e  leveduras.  Tais  achados  evidenciam  a 
necessidade  da  garantia  da  qualidade  microbiológica  das  embalagens  e  nas  fases  do 
processamento do produto. 
 

A ausência de crescimento microbiano nas amostras analisadas neste estudo demonstra 

que a formulação da pomada de 

Cannabis sativa

 L. pode possuir uma atividade antimicrobiana, 

cuja ação pode ser estendida em relação aos óleos fixos e essenciais, bem como ao próprio 
extrato  da 

Cannabis  sativa

  L.  presente  na  formulação.  Uma  vez  superada  a  ação  dos 

conservantes,  a  forma  farmacêutica  atendeu  aos  critérios  microbiológicos  estabelecidos, 
confirmando sua qualidade e segurança. Esse resultado reflete diretamente o compromisso da 
associação responsável pela produção da forma farmacêutica com a adoção de procedimentos 
rigorosos e eficazes, especialmente no que diz respeito ao cumprimento das Boas Práticas de 
Fabricação (BPF), um conjunto de normas e diretrizes que devem ser seguidas pelas indústrias. 
As  BPFs,  como  já  citadas,  são  amplamente  reconhecidas  por  sua  eficácia  na  prevenção  de 
riscos,  assegurando  que  os  processos  produtivos  estejam  em  conformidade  com  padrões  de 
higiene, controle, organização e responsabilidade. A aplicação correta promove segurança para 
consumidor final e reforça a credibilidade e confiabilidade da instituição envolvida (Ribeiro, 
2022). 

  

CONCLUSÃO 

 

 

 

A  avaliação  microbiológica  da  pomada  de 

Cannabis  sativa

  L.  manipulada  pela 

associação e doação para a realização do estudo demonstrou conformidade com os parâmetros 
estabelecidos pela Farmacopeia Brasileira, 7ª edição, para produtos não estéreis de uso tópico. 
As análises revelaram ausência de microrganismos patogênicos como 

Staphylococcus aureus

 

(ATCC 6538) e 

Pseudomonas aeruginosa

 (ATCC 9027), bem como contagem total de bactérias 

dentro  dos  limites  permitidos,  indicando  adequada  qualidade  microbiológica  da  formulação 
analisada. Os resultados obtidos reforçam a importância da aplicação de métodos padronizados 
de controle microbiológico em preparações farmacêuticas, assim como em formulações com 
potencial terapêutico e de uso repetido, como é o caso de pomadas de 

Cannabis sativa

 L. A 

ausência  de  contaminação  significativa,  sugere  que  os  procedimentos  de  manipulação  e 
conservação adotados foram eficazes para garantir a segurança do produto. 
 

Além  disso,  a  condução  cuidadosa  das  etapas  experimentais,  com  ajustes 

metodológicos baseados em possíveis interferências da formulação, contribuiu para obtenção 
de dados confiáveis e para o cumprimento das exigências normativas vigentes. Dessa forma, 
conclui-se que a realização do controle de qualidade microbiológica é etapa indispensável para 

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assegurar  a  integridade  e  a  segurança  das  formulações  manipuladas,  representando  um 
compromisso com a saúde pública e com as boas práticas farmacêuticas. 

 

 

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